20 de agosto de 2010.

Ativo ou passivo?

Esse post é totalmente inspirado em "O Macho da Relação" do Corporativismo Feminino. O texto não é o post atual mas está na minha cabeça desde a sua publicação.

Por tudo que é mais sagrado, eu queria ser uma menininha frágil, uma donzela bem calma que só age depois do outro.
Queria ter a paciência de esperar a porta do carro ser aberta, lembrar de segurar sua mão ao descer do ônibus. E não ser afobada e sem educação ao pegar o cardápio sem permitir que você fale por nós dois pelo menos uma vez.
Tenho que parar de tomar a iniciativa em relação a tudo. Preciso permitir que você me conduza!
Não sei o que é ser dominada. Não sei o que é engolir sapos pra evitar conflitos. Não sei o que é acatar.
Sei pular em cima de você e determinar o melhor do sexo. Sei que tudo deve ser feito como eu quero e quando eu quero. Sei que eu falo demais, questiono demais, sou demais e às vezes valho por nós dois!
Permissiva, passiva, mulher, feminina.
Eu quero tentar ser assim!
Quero que alguém cuide de mim, que se engane pelo menos um pouquinho e veja somente a fragilidade que aparento ter.
Não é da figura de um pai que eu estou falando, é de homem mesmo. Queria que você encontrasse esse equilíbrio que nem eu mesma consigo explicar.
Queria que você me colocasse freios.
Queria saber receber elogios.
E gostar de ganhar flores.
Eu quero.


10 de agosto de 2010.

Atestando sua burrice

Quero falar de uma coisa que me incomoda muito: o plágio.
Gosto de ser única em tudo que faço. Ou pelo menos fazer parte da minoria.
Não gosto de tudo que está na moda, aliás a moda tem o poder de me afastar de uma banda, roupa, cor, tendência.
Admito que sou estranha.
Não gosto de servir de inspiração para posts e layouts alheios sem receber créditos. Ou ao menos ser comunicada.
Ok, existe a coincidência. Mas acontecer mais de três vezes já é sacanagem, né?

O Copyscape é um site bem legal que lista posts com um mesmo texto.
O Google nosso de cada dia faz a mesma coisa. É só você colar parte de um texto seu entre aspas que ele faz a busca (é bem legal fazer isso com nosso nome completo).
É legal citarmos fonte de imagens utilizadas em layouts, posts. E citarmos também o autor de trechos de músicas, poesias. E isso serve com o blog de um amigo que te inspirou a escrever tal post.
É legal ter uma área de créditos no seu site.
Antes de ser lei, isso é questão de educação. ;)*

Uma campanha Casa da Tuka contra o plágio

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06 de julho de 2010.

Ausência

"Nunca se arrependa de algo que uma vez te fez sorrir."

E fez sorrir tanto… e quando consigo deixar a saudade de lado, ainda faz.
Hoje faz 1 ano que minha vida mudou. 1 ano que perdi minha filha.
1 ano que descobri que 'e foram felizes para sempre' não é com ponto final, é com reticências ou até um ponto de interrogação.
Falando em perdas, foram muitas e muitas por minha culpa. Perdi amigos e me afastei de muitos com medo de um dia perdê-los também. Perdi o namorado, marido whatever. Sonhos e planos também foram embora. O brilho nos olhos, o sorriso quase que constante, já não aparecem mais.
Mas também ganhei algumas coisas, algumas pessoas. Descobri que se você partir do princípio que só pode contar com seus pais, tudo que vier depois é lucro. Ah! Como eu tô no lucro!!! Conheci pessoas que em pouco tempo já me conquistaram. Reforcei amizades que são tão especiais… Perdi – sim, esse verbo está no parágrafo certo – o medo de viver sozinha. E faz pouco tempo que aprendi a ser feliz assim.
O vazio ainda existe, creio que ele é eterno. Mas hoje eu sei como viver faltando um pedaço.


16 de novembro de 2009.

Novembro

Já tem uns dias que ele chegou e pra ser bem sincera eu preferiria pular esse mês.
Era muito esperado enquanto eu ainda esperava minha florzinha mas, depois de Julho, eu não sabia como seria vivê-lo.
Aprendi muito e vivi uns 50 anos em 4 meses.
Aprendi que é muito fácil você exigir a recuperação de alguém quando você sequer imagina o que a pessoa está sentindo.
E que não adianta você dizer que "já passou" e que uma nova gravidez virá.
E que perder um filho no início de uma gravidez dói mas você compreende. Nessa situação o "foi melhor assim" até se encaixa.
Mas perder um filho aos 5 meses, um filho que já mexe quando ouve a voz do pai ou quando você come algo gostoso… é parte de você que é arrancada.
Aprendi também que família é única. Amigos que você chama de irmãos também.
E se você perder a paciência por um simples esbarrão, ou entrar num casulo imaginário, ou não falar coisa com coisa, todos esses entenderão. E respeitarão!
Os outros? Questionarão.
Já desejei não ter saído daquele hospital. Caso pudesse escolher, queria que ela sobrevivesse.
A dor ainda é enorme! Dói muito porque além de não poder engravidar ainda, eu não queria iniciar a fase de tentativas porque tenho medo.
Medo que isso se repita.
Não é um medo à toa, tem fundamento. É algo com minha saúde, meu organismo, mas nem quero entrar muito em detalhes, tá?!
Recebi um depoimento no orkut. Da minha irmã.
Nem tenho o que dizer, deu um nó na garganta…

Tatiana:
Tem horas na vida em que penso em desistir. Perco as forças, e procuro um buraco pra me enfiar. Caminho em direção a ele, e vou entrando, lentamente. Aí me dá um estalo, e olho pra trás. Vejo uma brechinha do ponto de partida, da luz que emana fora do buraco, e penso. E sabe no que penso? Penso na minha família. Penso que tenho dois seres-mirins que dependem de mim, e que eu quis receber para dar direção. Penso que pessoas enfrentam dores que devem ser muito maiores que as minhas lamentações; penso em pessoas que nem você. Sua força me emocionou. Estamos em novembro, e posso imaginar como você passou por esse fim-de-semana. Lembrar das coisas, eu sempre me lembro. Queria ter ligado, mas acho que era um momento pra vocês três viverem juntos (você, minha sobrinha anjinha Yasmin, e André). Amo vocês. Obrigada por ser tão forte e me ensinar tanto.


13 de setembro de 2009.

Luz, câmera e pouca ação

A sensação é que vivi um trailer nos tais 5 meses.
Ou um sonho, talvez.
1 mês sendo feliz sem saber e outros 4 com início e fim previamente estipulados: 28/03 até 06/07.
No dia que o trailer acabou, o filme da minha vida recomeçou com um apelo total de drama.
Leva até a pessoa mais fria ao choro. Inevitável.
Infelizmente caio na frase mais que batida mas que diz tudo: um filho quando perde os pais fica órfão, casal fica viúvo e mãe quando perde o filho?! É uma eterna sofredora.
Queria ter acesso a esse roteiro de vida, adicionar um pouco de comédia, mais ainda de romance e muita, muita ação.
Mas não, meu calendário parou em Julho. Não só o meu, hoje no trabalho dele percebi que o calendário na sua mesa ainda estava naquele mês terrível. Acho que pra nós o tempo parou.
A sensação é de um ano perdido, sem mais expectativas, com sonhos cancelados, sem a mínima vontade de mudar alguma coisa.
Hoje eu vejo quanto tempo perdi chorando por um brinquedo quebrado, por um amor platônico, com o afastamento de um amigo ou qualquer outra coisa. A grande e eterna dor que tenho é a única que faz sentido.
Percebi que eu evito tocar nesse assunto pensando nas outras pessoas, no quão sem jeito elas ficam sem nem saber o que me falar. Não vou fazer mais isso…
E dou a dica: tentem entender que não é fácil ter força pra recomeçar a cada dia. Cada minuto sem pensar e sem vontade de chorar é uma grande vitória… Mas não ganhamos sempre, né?!
Existem as baixas, os dias mais cinzas, aquela solidão que bate mesmo quando não se está sozinho.
É que hoje eu sou sozinha e já não tenho mais aquele brilho no olhar que muitos conhecem.
Dá medo de voltar a sonhar e de repente precisar ser acordada na melhor parte.
Ou, do trailer ficar tão interessante e na melhor parte iniciar o filme da vida real.


28 de agosto de 2009.

Coisas simples

Apreciar o seu amor enquanto ele dorme.
Dormir de conchinha, abraçada ou em seu peito.
Receber carinho até pegar no sono.
Jogar a coberta longe mas nunca sentir frio.
(ele acorda e te cobre novamente).
Acordar com um mar de beijos.
Fingir que ainda dorme só pra ganhar mais.
Não aguentar fingir mais e acordar sorrindo.
Desejar um bom dia com vontade de dizer "fica mais um pouco".
Mais tarde, ao chegar, mais beijos.
E em meio aos beijos, sentir a barba por fazer.
Cócegas. Muitas cócegas.
Gargalhadas.
Gosto de chocolate.
Cheiro de terra molhada.
Música que faça cantar, dançar, sorrir.
Crianças que digam "eu te amo".
Quem sinta saudades.
Quem mate saudades.
Estar perto de casa mesmo a 409 km de distância.
Gosto de chocolate…
Calor durante o dia e frio somente na hora de dormir.
Fotografia.
Cores. Muitas cores!
Show de uma banda predileta.
Leitura para viajar.
Jogar para distrair.
Conversa fora com amigos.
Sair da rotina.
Inovar.
Falar o que tem vontade sem medo de errar.
Escrever.
Tudo que tem vontade sem medo do que vão achar.
A opinião dos outros é dos outros e só.
[...]


14 de julho de 2009.

*Tanatologia

Quem sabe a morte, angústia de quem vive [...]
Quem sabe a morte?
Quem sabe da morte?
É um processo natural do envelhecimento, da vida. E quando ocorre antes?
Acreditar que existe um motivo para tudo é o que conforta, o que tenta explicar o inexplicável.
A única certeza é a necessidade de viver o luto, ignorar o fato só adiaria o sofrimento.
Olhar objetos e organizá-los é necessário. Transferir essa tarefa também só adiaria um choro extremamente saudável.
É hora de lavar a alma, lavar tudo de dentro pra fora.
Falar sobre já é mais delicado, melhor fazê-lo com poucos, geralmente os que dão a força diária.
É na hora do sofrimento que você se vê cercado só de quem se interessa.
Eu já imaginava que é mais fácil se aproximar na hora da farra, da festa, da felicidade em si. Não reconhecia que a dor afastava, que o olhar marejado causava aversão. Mesmo tendo uma experiência anterior num período de depressão.
Comum não saber o que falar num momento desses, estranho é o abandono e o descaso.
Um e-mail, uma mensagem, a solidariedade do outro tem sido raridade mas quando ocorre gera um conforto que revigora.
Entender o silêncio também é essencial!
O momento de falar, de receber visitas, já passou. Esse foi durante a internação, numa busca constante de esperança. Agora o momento é de recuperação, da tentativa de restabelecer as energias.
Descobri uma força tanto física quanto psicológica que nem sonhava que existia. Passei a enxergar fatos que antes ignorava e/ou relevava.
De uma forma muito estranha, tudo tem seu lado positivo. Às vezes é difícil enxergar, mas ele existe.
É a vida, é o viver.

*Tanatologia: estudo da morte.

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@lita_vieira, carioca, morando em São Paulo, casada, mãe da Larissa, Enfermeira por formação, e atualmente em casa. Viciada em internet, redes sociais. Gulosa, amante de sites de culinária. Sou Flamengo, abençoada por Deus e bonita por natureza - que beleza!

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