22 de julho de 2009.

Paz

Cresci ouvindo pessoas falarem que eu transmitia calma, paz, energias boas. Chegou a minha vez de me beneficiar disso!
Percebi o quanto é raro um ser humano assim. Não estou me elevando, colocando-me como raridade, etc. Só estou dizendo que dificilmente encontro alguém que não conteste minhas crenças, meus gostos, opiniões; um alguém que não questione minhas necessidades; um alguém que apenas me transmita paz.
A vida está seguindo, estou caminhando com muita força!
Fico tão bem quando leio algo parecido com "entendo seu silêncio mas se precisar estou aqui".
Sinto-me compreendida!
Agora com o passar do tempo, a grande maioria já age assim. Quero que saibam que estou bem, estou surpresa com o meu jeito, por ter entendido e aceitado tudo e ao mesmo tempo estou orgulhosa.


15 de julho de 2009.

A influência do tempo

Olha o tempo lá fora e pensa que sua emoção está traduzida em lágrimas que caem do céu.
Olha ao redor e sente um abraço apertado do vento que insiste em entrar pela janela.
É a Lua que de repente antecipa o final de uma história.
É o Sol que tenta aquecer a alma.
É o frio do inverno que tenta anular o conforto de cada 'Sol'.
A primavera ainda é aguardada. Não mais com a mesma expectativa, agora a necessidade é da sua capacidade de renovar um ser.
Um ser que decidiu se proteger num casulo imaginário.
Um ser forte porém fragilizado.
*Um ser que vai andar um pouquinho no escuro, procurando achar as respostas, até cavar um túnel como caminho de volta.
Bem, depois do inverno é a vida em cores…
[...]
[*Leoni - Temporada das flores]


14 de julho de 2009.

*Tanatologia

Quem sabe a morte, angústia de quem vive [...]
Quem sabe a morte?
Quem sabe da morte?
É um processo natural do envelhecimento, da vida. E quando ocorre antes?
Acreditar que existe um motivo para tudo é o que conforta, o que tenta explicar o inexplicável.
A única certeza é a necessidade de viver o luto, ignorar o fato só adiaria o sofrimento.
Olhar objetos e organizá-los é necessário. Transferir essa tarefa também só adiaria um choro extremamente saudável.
É hora de lavar a alma, lavar tudo de dentro pra fora.
Falar sobre já é mais delicado, melhor fazê-lo com poucos, geralmente os que dão a força diária.
É na hora do sofrimento que você se vê cercado só de quem se interessa.
Eu já imaginava que é mais fácil se aproximar na hora da farra, da festa, da felicidade em si. Não reconhecia que a dor afastava, que o olhar marejado causava aversão. Mesmo tendo uma experiência anterior num período de depressão.
Comum não saber o que falar num momento desses, estranho é o abandono e o descaso.
Um e-mail, uma mensagem, a solidariedade do outro tem sido raridade mas quando ocorre gera um conforto que revigora.
Entender o silêncio também é essencial!
O momento de falar, de receber visitas, já passou. Esse foi durante a internação, numa busca constante de esperança. Agora o momento é de recuperação, da tentativa de restabelecer as energias.
Descobri uma força tanto física quanto psicológica que nem sonhava que existia. Passei a enxergar fatos que antes ignorava e/ou relevava.
De uma forma muito estranha, tudo tem seu lado positivo. Às vezes é difícil enxergar, mas ele existe.
É a vida, é o viver.

*Tanatologia: estudo da morte.

@lita_vieira, carioca, morando em São Paulo, casada, mãe da Larissa, Enfermeira por formação, e atualmente em casa. Viciada em internet, redes sociais. Gulosa, amante de sites de culinária. Sou Flamengo, abençoada por Deus e bonita por natureza - que beleza!

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