27 de setembro de 2009.

Roda Viva

A minha vida parece uma roda gigante. Clichê e exato. Fato e concreto. O responsável pelo ajuste de velocidade às vezes acelera e tudo acontece muito rápido. Quando começo a me acostumar com a parte baixa já sinto o frio na barriga que só o alto é capaz de proporcionar. Aquele riso destrambelhado e nervoso, lágrimas de felicidade que voam sem nem ter tempo de escorrer pelo rosto. Lágrimas que voam até encontrar um rosto para molhar. No alto da roda, no ápice da vida, na adrenalina correndo, o mundo é tão pequeno perto do nosso tamanho… Da nossa felicidade. No baixinho, na breve pausa, no momento de idealizar a subida, alguns ficam mais próximos e ainda identificamos um a um. Reflexões do alto, constatações do baixo. Sentimentos… essa é a energia que move a roda da vida. Minha tão esperada, a mais bela flor, chegaria na primavera. Hoje a encontro em sonhos, nas voltas da roda viva que ainda não consegue carregar a saudade pra lá. Uma flor que virou estrela e é no alto da roda gigante que ficarei mais perto. E não é que o tempo rodou num instante, nas voltas do meu coração?
Inspirado em: Roda Viva – Chico Buarque.


24 de setembro de 2009.

O gosto do humor

Às vezes a vida é doce e bela demais. Passarinhos cantam, o céu é azul, pessoas bonitas lançam sorrisos encantadores e nenhum problema é capaz de afetar.
Certas vezes fica salgada, e nem é com sal a gosto e na medida certa. Parece que erramos a mão. E queima. Arde. Chega a doer! E nem adianta encher de batatas, nem elas absorvem o excesso.
Pode existir um dia amargo, aquele onde precisamos fazer cara feia para encarar. É cara feia pra tudo e todos. E pode acontecer o que for que o amargo permanece firme e forte em algum canto.
E existe o azedo. O ácido. O cruel. Tudo irrita, tudo incomoda e ironia e sarcasmo são grandes aliados. Criticamos até o que gostamos e principalmente quem desgostamos.
Surgiu até um novo, o umami. Ainda é desconhecido, pouco explorado. Não sabemos identificar, mas apreciamos. É um sorriso sem motivo, uma felicidade sem explicação. Marcante.

Minhas papilas gustativas oscilam igual e paralelamente ao meu humor. A capacidade de percepção de cada detalhe e o que determinará cada ação depende do botão que será acionado ao acordar.


13 de setembro de 2009.

Luz, câmera e pouca ação

A sensação é que vivi um trailer nos tais 5 meses.
Ou um sonho, talvez.
1 mês sendo feliz sem saber e outros 4 com início e fim previamente estipulados: 28/03 até 06/07.
No dia que o trailer acabou, o filme da minha vida recomeçou com um apelo total de drama.
Leva até a pessoa mais fria ao choro. Inevitável.
Infelizmente caio na frase mais que batida mas que diz tudo: um filho quando perde os pais fica órfão, casal fica viúvo e mãe quando perde o filho?! É uma eterna sofredora.
Queria ter acesso a esse roteiro de vida, adicionar um pouco de comédia, mais ainda de romance e muita, muita ação.
Mas não, meu calendário parou em Julho. Não só o meu, hoje no trabalho dele percebi que o calendário na sua mesa ainda estava naquele mês terrível. Acho que pra nós o tempo parou.
A sensação é de um ano perdido, sem mais expectativas, com sonhos cancelados, sem a mínima vontade de mudar alguma coisa.
Hoje eu vejo quanto tempo perdi chorando por um brinquedo quebrado, por um amor platônico, com o afastamento de um amigo ou qualquer outra coisa. A grande e eterna dor que tenho é a única que faz sentido.
Percebi que eu evito tocar nesse assunto pensando nas outras pessoas, no quão sem jeito elas ficam sem nem saber o que me falar. Não vou fazer mais isso…
E dou a dica: tentem entender que não é fácil ter força pra recomeçar a cada dia. Cada minuto sem pensar e sem vontade de chorar é uma grande vitória… Mas não ganhamos sempre, né?!
Existem as baixas, os dias mais cinzas, aquela solidão que bate mesmo quando não se está sozinho.
É que hoje eu sou sozinha e já não tenho mais aquele brilho no olhar que muitos conhecem.
Dá medo de voltar a sonhar e de repente precisar ser acordada na melhor parte.
Ou, do trailer ficar tão interessante e na melhor parte iniciar o filme da vida real.


@lita_vieira, carioca, morando em São Paulo, casada, mãe da Larissa, Enfermeira por formação, e atualmente em casa. Viciada em internet, redes sociais. Gulosa, amante de sites de culinária. Sou Flamengo, abençoada por Deus e bonita por natureza - que beleza!

{+}

© Talita Vieira 2009 - 2011 | Todos os Direitos Reservados. Licença Creative Commons.