
Criança, inocente e sonhadora; nessa época acreditava que bastava desenhar meu nome com o de alguém para estarmos juntos. Talita ganhou vários sobrenomes, várias combinações, vários para sempre. Acreditava que bastava nossos nomes dentro de um coração para vivermos o mais lindo e perfeito amor. Nas brincadeiras de sapino e suas variações, levava a sério cada resultado: saudade, amor, paixão, ilusão indiferença, namoro e ódio; vivia cada sentimento ao pé da letra! Gostava de escrever meu nome somado a outro com um s.a.l. embaixo (se amam loucamente). Adorava achar alguma margarida para fazer bem me quer, mal me quer – qualquer outra flor influenciaria o resultado. Sempre, sempre que me referia a alguma paixonite era em códigos e no diário. Diário secreto. Tão secreto quanto minha vida, que uma tampa de caneta Bic consegue abrir…
Adulta, experiente e ainda sonhadora; hoje eu acredito que para sermos um só, basta que olhem para mim e lembrem de você e vice-versa. E que a maioria dos nossos planos tenha aquele espaço reservado ao outro. Nossos nomes podem combinar ou não, é indiferente quando estamos acostumados a nos chamar por apelidos carinhosos. Já não existe mais segredo, não preciso de códigos ao me referir a você, pois "até quem me vê lendo jornal, na fila do pão, sabe que eu te encontrei". E eu sei que você me encontrou… Nosso encontro não estava programado em nenhuma das brincadeiras, não tirei nenhuma pétala e nem desenhei corações. Inesperado. Virei uma arquiteta de sentimentos sem fazer nenhum curso. Consegui construir tudo que sempre desejei de uma forma bem simples: vivendo [...]



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