16 de novembro de 2009.

Novembro

Já tem uns dias que ele chegou e pra ser bem sincera eu preferiria pular esse mês.
Era muito esperado enquanto eu ainda esperava minha florzinha mas, depois de Julho, eu não sabia como seria vivê-lo.
Aprendi muito e vivi uns 50 anos em 4 meses.
Aprendi que é muito fácil você exigir a recuperação de alguém quando você sequer imagina o que a pessoa está sentindo.
E que não adianta você dizer que "já passou" e que uma nova gravidez virá.
E que perder um filho no início de uma gravidez dói mas você compreende. Nessa situação o "foi melhor assim" até se encaixa.
Mas perder um filho aos 5 meses, um filho que já mexe quando ouve a voz do pai ou quando você come algo gostoso… é parte de você que é arrancada.
Aprendi também que família é única. Amigos que você chama de irmãos também.
E se você perder a paciência por um simples esbarrão, ou entrar num casulo imaginário, ou não falar coisa com coisa, todos esses entenderão. E respeitarão!
Os outros? Questionarão.
Já desejei não ter saído daquele hospital. Caso pudesse escolher, queria que ela sobrevivesse.
A dor ainda é enorme! Dói muito porque além de não poder engravidar ainda, eu não queria iniciar a fase de tentativas porque tenho medo.
Medo que isso se repita.
Não é um medo à toa, tem fundamento. É algo com minha saúde, meu organismo, mas nem quero entrar muito em detalhes, tá?!
Recebi um depoimento no orkut. Da minha irmã.
Nem tenho o que dizer, deu um nó na garganta…

Tatiana:
Tem horas na vida em que penso em desistir. Perco as forças, e procuro um buraco pra me enfiar. Caminho em direção a ele, e vou entrando, lentamente. Aí me dá um estalo, e olho pra trás. Vejo uma brechinha do ponto de partida, da luz que emana fora do buraco, e penso. E sabe no que penso? Penso na minha família. Penso que tenho dois seres-mirins que dependem de mim, e que eu quis receber para dar direção. Penso que pessoas enfrentam dores que devem ser muito maiores que as minhas lamentações; penso em pessoas que nem você. Sua força me emocionou. Estamos em novembro, e posso imaginar como você passou por esse fim-de-semana. Lembrar das coisas, eu sempre me lembro. Queria ter ligado, mas acho que era um momento pra vocês três viverem juntos (você, minha sobrinha anjinha Yasmin, e André). Amo vocês. Obrigada por ser tão forte e me ensinar tanto.


@lita_vieira, carioca, morando em São Paulo, casada, mãe da Larissa, Enfermeira por formação, e atualmente em casa. Viciada em internet, redes sociais. Gulosa, amante de sites de culinária. Sou Flamengo, abençoada por Deus e bonita por natureza - que beleza!

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