24 de setembro de 2009.

O gosto do humor

Às vezes a vida é doce e bela demais. Passarinhos cantam, o céu é azul, pessoas bonitas lançam sorrisos encantadores e nenhum problema é capaz de afetar.
Certas vezes fica salgada, e nem é com sal a gosto e na medida certa. Parece que erramos a mão. E queima. Arde. Chega a doer! E nem adianta encher de batatas, nem elas absorvem o excesso.
Pode existir um dia amargo, aquele onde precisamos fazer cara feia para encarar. É cara feia pra tudo e todos. E pode acontecer o que for que o amargo permanece firme e forte em algum canto.
E existe o azedo. O ácido. O cruel. Tudo irrita, tudo incomoda e ironia e sarcasmo são grandes aliados. Criticamos até o que gostamos e principalmente quem desgostamos.
Surgiu até um novo, o umami. Ainda é desconhecido, pouco explorado. Não sabemos identificar, mas apreciamos. É um sorriso sem motivo, uma felicidade sem explicação. Marcante.

Minhas papilas gustativas oscilam igual e paralelamente ao meu humor. A capacidade de percepção de cada detalhe e o que determinará cada ação depende do botão que será acionado ao acordar.


13 de setembro de 2009.

Luz, câmera e pouca ação

A sensação é que vivi um trailer nos tais 5 meses.
Ou um sonho, talvez.
1 mês sendo feliz sem saber e outros 4 com início e fim previamente estipulados: 28/03 até 06/07.
No dia que o trailer acabou, o filme da minha vida recomeçou com um apelo total de drama.
Leva até a pessoa mais fria ao choro. Inevitável.
Infelizmente caio na frase mais que batida mas que diz tudo: um filho quando perde os pais fica órfão, casal fica viúvo e mãe quando perde o filho?! É uma eterna sofredora.
Queria ter acesso a esse roteiro de vida, adicionar um pouco de comédia, mais ainda de romance e muita, muita ação.
Mas não, meu calendário parou em Julho. Não só o meu, hoje no trabalho dele percebi que o calendário na sua mesa ainda estava naquele mês terrível. Acho que pra nós o tempo parou.
A sensação é de um ano perdido, sem mais expectativas, com sonhos cancelados, sem a mínima vontade de mudar alguma coisa.
Hoje eu vejo quanto tempo perdi chorando por um brinquedo quebrado, por um amor platônico, com o afastamento de um amigo ou qualquer outra coisa. A grande e eterna dor que tenho é a única que faz sentido.
Percebi que eu evito tocar nesse assunto pensando nas outras pessoas, no quão sem jeito elas ficam sem nem saber o que me falar. Não vou fazer mais isso…
E dou a dica: tentem entender que não é fácil ter força pra recomeçar a cada dia. Cada minuto sem pensar e sem vontade de chorar é uma grande vitória… Mas não ganhamos sempre, né?!
Existem as baixas, os dias mais cinzas, aquela solidão que bate mesmo quando não se está sozinho.
É que hoje eu sou sozinha e já não tenho mais aquele brilho no olhar que muitos conhecem.
Dá medo de voltar a sonhar e de repente precisar ser acordada na melhor parte.
Ou, do trailer ficar tão interessante e na melhor parte iniciar o filme da vida real.


28 de agosto de 2009.

Coisas simples

Apreciar o seu amor enquanto ele dorme.
Dormir de conchinha, abraçada ou em seu peito.
Receber carinho até pegar no sono.
Jogar a coberta longe mas nunca sentir frio.
(ele acorda e te cobre novamente).
Acordar com um mar de beijos.
Fingir que ainda dorme só pra ganhar mais.
Não aguentar fingir mais e acordar sorrindo.
Desejar um bom dia com vontade de dizer "fica mais um pouco".
Mais tarde, ao chegar, mais beijos.
E em meio aos beijos, sentir a barba por fazer.
Cócegas. Muitas cócegas.
Gargalhadas.
Gosto de chocolate.
Cheiro de terra molhada.
Música que faça cantar, dançar, sorrir.
Crianças que digam "eu te amo".
Quem sinta saudades.
Quem mate saudades.
Estar perto de casa mesmo a 409 km de distância.
Gosto de chocolate…
Calor durante o dia e frio somente na hora de dormir.
Fotografia.
Cores. Muitas cores!
Show de uma banda predileta.
Leitura para viajar.
Jogar para distrair.
Conversa fora com amigos.
Sair da rotina.
Inovar.
Falar o que tem vontade sem medo de errar.
Escrever.
Tudo que tem vontade sem medo do que vão achar.
A opinião dos outros é dos outros e só.
[...]


22 de julho de 2009.

Paz

Cresci ouvindo pessoas falarem que eu transmitia calma, paz, energias boas. Chegou a minha vez de me beneficiar disso!
Percebi o quanto é raro um ser humano assim. Não estou me elevando, colocando-me como raridade, etc. Só estou dizendo que dificilmente encontro alguém que não conteste minhas crenças, meus gostos, opiniões; um alguém que não questione minhas necessidades; um alguém que apenas me transmita paz.
A vida está seguindo, estou caminhando com muita força!
Fico tão bem quando leio algo parecido com "entendo seu silêncio mas se precisar estou aqui".
Sinto-me compreendida!
Agora com o passar do tempo, a grande maioria já age assim. Quero que saibam que estou bem, estou surpresa com o meu jeito, por ter entendido e aceitado tudo e ao mesmo tempo estou orgulhosa.


15 de julho de 2009.

A influência do tempo

Olha o tempo lá fora e pensa que sua emoção está traduzida em lágrimas que caem do céu.
Olha ao redor e sente um abraço apertado do vento que insiste em entrar pela janela.
É a Lua que de repente antecipa o final de uma história.
É o Sol que tenta aquecer a alma.
É o frio do inverno que tenta anular o conforto de cada 'Sol'.
A primavera ainda é aguardada. Não mais com a mesma expectativa, agora a necessidade é da sua capacidade de renovar um ser.
Um ser que decidiu se proteger num casulo imaginário.
Um ser forte porém fragilizado.
*Um ser que vai andar um pouquinho no escuro, procurando achar as respostas, até cavar um túnel como caminho de volta.
Bem, depois do inverno é a vida em cores…
[...]
[*Leoni - Temporada das flores]


14 de julho de 2009.

*Tanatologia

Quem sabe a morte, angústia de quem vive [...]
Quem sabe a morte?
Quem sabe da morte?
É um processo natural do envelhecimento, da vida. E quando ocorre antes?
Acreditar que existe um motivo para tudo é o que conforta, o que tenta explicar o inexplicável.
A única certeza é a necessidade de viver o luto, ignorar o fato só adiaria o sofrimento.
Olhar objetos e organizá-los é necessário. Transferir essa tarefa também só adiaria um choro extremamente saudável.
É hora de lavar a alma, lavar tudo de dentro pra fora.
Falar sobre já é mais delicado, melhor fazê-lo com poucos, geralmente os que dão a força diária.
É na hora do sofrimento que você se vê cercado só de quem se interessa.
Eu já imaginava que é mais fácil se aproximar na hora da farra, da festa, da felicidade em si. Não reconhecia que a dor afastava, que o olhar marejado causava aversão. Mesmo tendo uma experiência anterior num período de depressão.
Comum não saber o que falar num momento desses, estranho é o abandono e o descaso.
Um e-mail, uma mensagem, a solidariedade do outro tem sido raridade mas quando ocorre gera um conforto que revigora.
Entender o silêncio também é essencial!
O momento de falar, de receber visitas, já passou. Esse foi durante a internação, numa busca constante de esperança. Agora o momento é de recuperação, da tentativa de restabelecer as energias.
Descobri uma força tanto física quanto psicológica que nem sonhava que existia. Passei a enxergar fatos que antes ignorava e/ou relevava.
De uma forma muito estranha, tudo tem seu lado positivo. Às vezes é difícil enxergar, mas ele existe.
É a vida, é o viver.

*Tanatologia: estudo da morte.

05 de novembro de 2008.

Pinta como eu pinto?

Quero pintar paredes, quero deixar a minha marca por onde eu passo. Quero colorir um céu de nuvens e desenhos que só eu vejo, só eu entendo.
Quero desenhar um coração e dentro dele meus amores e esplendores. As dores? Essas que eu nem sei rimar, também não sei colorir.
Quero descobrir novas cores, novos tons, misturar verde com verde e ver no que dá. Vai que surge um rosa? Ou ainda, um inesperado azul?
Quero passar uma tinta forte nas desilusões e remover os traços de passado, algo marcado. Quero é tudo bem amarrotado!
Quero me pintar, sempre buscando formas de te impressionar. Quero te pintar de cores que eu sempre sonhei encontrar.
Extraio pigmentos das pessoas que convivo. É um mecanismo parecido com o de captação de luz solar, dos meus sóis-amigos / amigos-sóis.
Não chega a ser uma relação desarmônica, eu não deixo a pessoa sem cor. Absorvo e converto em bons sentimentos.
Vivemos como os líquens, não podemos ser separados! É mutualismo, é simbiose. Uma relação interespecífica harmônica.
É interespecífica sim! Quem disse que sou da mesma espécie que vocês? Às vezes eu sinto que sou de outro planeta ou talvez do mundo da Lua.
Quero achar uma cor que lembre eternidade e pintar todos os que eu amo com essa tinta especial.
Azul? Céu? Isso lembra infinito e ao mesmo tempo Smurfs. Apaga.
Não encontro a cor, não encontro a fórmula mágica para deixar quem eu amo durar ad eternum. Creio que a razão de não encontrar é meu olhar me trair e as lágrimas embaçarem o arco-íris que eu vejo.
- sabe pai, aquele arco-íris que você fazia aparecer na pirâmide de cristal -


01 de novembro de 2008.

O Sol de nós todos

Esse post tem como objetivo mudar a certeza de que o Sol é um só e fica lá longe, paradinho, enquanto todos rodamos em sua volta.
Sim, ele nasce pra todos mas não é o mesmo; isso só sabe quem quer.
Existem pessoas que podem ser consideradas a própria personificação do Sol. São pessoas que te iluminam, aquecem, proporcionam crescimento, favorecem sua fotossíntese.
Humanos-Girassóis. Ã‰ o que somos, é como vivemos!
Temos a necessidade humana básica de buscarmos uma fonte de energia. Aquele impulso diário que te diz "vai!".
Família, namorido e amigos.
Cada lugar que vou tenho uma Luz especial!
Não há tempestade que o impeça de aparecer. Não existe tempo nublado, não existe nem a noite!
Existem sorrisos que transmitem um brilho forte, feito sua claridade, responsável por iluminar um dia inteiro.
Abraços que aquecem mais que seus convencionais raios.
Palavras que proporcionam o mesmo crescimento que ocorre com as plantas.
Eu sou um Girassol. Um Girassol tentando evoluir para tornar-se o Sol de muitos.
Um Girassol que nunca irá esquecer a energia tão boa que recebe. Uma energia tão grande capaz de secar lágrimas antes mesmo delas ameaçarem cair.
Aos merecedores, reconheçam-se meus Sóis.


Página 10 de 11« Início...7891011

@lita_vieira, carioca, morando em São Paulo, casada, mãe da Larissa, Enfermeira por formação, e atualmente em casa. Viciada em internet, redes sociais. Gulosa, amante de sites de culinária. Sou Flamengo, abençoada por Deus e bonita por natureza - que beleza!

{+}

© Talita Vieira 2009 - 2011 | Todos os Direitos Reservados. Licença Creative Commons.